Devoção às Almas

Capela das Velas

No Santuário das Almas, perto do estacionamento, temos um amplo espaço onde pode-se acender velas em memória dos nossos falecidos. 

Mas por que fazemos isso? Qual o sentido de acendermos uma vela em oração?

O costume de se utilizar a pequena chama da vela é um costume muito antigo. No início, as velas eram utilizadas simplesmente para iluminar o ambiente onde se rezava. No judaísmo, que é justamente de onde nossa fé encontra suas raízes, até hoje permanece o costume de acender velas no por do sol da sexta-feira, que para eles marca o início do sábado, dia de descanso em honra do Senhor. Escurecia, precisavam de luz para a oração, por isso acendiam velas. Com o passar do tempo, essa prática foi tomando outros significados, simbolizando que Deus, através dos seus mandamentos, nos tira da escuridão. Quem caminha numa casa com as lâmpadas apagadas, tropeça e pode até se machucar. Uma planta, se colocada num ambiente escuro, pouco a pouco morre. Se há luz, então, tudo vai melhor. Na vida, sem Deus, tropeçamos e caímos. Com ele, enxergamos direito, há luz, há calor, há vida. 

Os primeiros cristãos, portanto, tiveram contato com esse costume, visto que muitos vinham do judaísmo. Os discípulos de Jesus o ouviram dizer que Ele mesmo era a "Luz do Mundo" (Jo 8, 12). Entenderam que somente ouvindo e praticando o que Jesus ensinou poderiam acertar os caminhos nesta vida. Ele é a Luz, e se nós o imitamos, se procuramos viver como ele viveu, se amamos como ele amou, nós também nos tornamos luz na vida dos outros. Aliás, Jesus mesmo disse: "Vós sois o sal da terra e a luz do mundo" (Mt 5,13).

Os primeiros cristãos, logo depois da Ressurreição de Jesus, foram terrivelmente perseguidos. Começaram, então, a se reunir à noite, pelas casas e nos cemitérios subterrâneos na cidade de Roma. Era escuro, precisavam de acender velas. Mas sempre que as acendiam lembravam das palavras de Jesus a respeito da luz. Mesmo nas trevas da perseguição, entendiam que tinham luz e coragem porque estavam com Cristo. Essa fé era luz para os outros que também estavam sendo perseguidos. Sua coragem era como uma chama que ia acendendo outras chamas, isto é, muita gente ia se tornando cristão porque via a fé deles e jeito como viviam. E a luz de Cristo ia se espalhando... 

Assim, começou a ficar comum que os cristãos deixassem velas acesas sobre os túmulos daqueles que tinham sido assassinados por causa de sua fé em Jesus Ressuscitado. Aqueles que tinham já partido, mesmo não estando mais fisicamente entre eles, continuavam a ser luz, porque eram exemplo de vida. Mesmo no sofrimento não deixaram a chama da fé apagar. Mesmo tendo partido, continuavam a iluminar os que ainda estavam na luta da vida. 

Além disso, a chama daquelas velas testemunhava a fé dos primeiros cristãos nAquele que é a Luz do Mundo, Jesus Cristo Ressuscitado. Aquelas pessoas que estavam ali sepultadas eram discípulos do Deus da Luz. Eles não eram filhos das trevas. Quem é bom, resplandesce até após a morte. E acreditando nas palavras de Jesus que nos prometeu que também nós ressuscitaremos, aquelas velas acesas eram uma oração silenciosa dizendo: "Nós cremos na vida eterna!".

No Santuário das Almas continuamos essa tradição de séculos. Não se trata de superstição, mas, com os primeiros cristãos, reafirmamos nossa fé em Cristo Luz do Mundo e o nosso empenho de nós também tentarmos ser luz para os demais. Frente às velas que acendemos lembrando dos nossos falecidos, lembramos de todo bem que fizeram, de toda luz que espalharam, e pedimos a Deus que os acolha no seu Reino. 

Assim, não nos cansamos de repetir: Nós cremos na luz que vence as trevas, nós cremos na vida eterna. 

E pelos nossos falecidos rezamos: Dai-lhes, Senhor, a luz eterna e brilhe para eles a vossa luz!

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