Institucional

Missionários do Sagrado Coração de Jesus

 

Um homem com um sonho: Júlio Chevalier

França, século XIX. O país ainda fervilha com os efeitos da Revolução que derruba o Antigo Regime absolutista. A França passa por um período de instabilidade política marcante em que monarquias e repúblicas se sucedem umas às outras. O povo, como ainda hoje, era quem mais sofria; havia muita pobreza e mesmo fome.

A imagem da Igreja, que por muito tempo fora associada ao poder imperial deposto, também passa por uma crise: o ódio ao clero era grande e o indiferentismo religioso não menos comum... Enfim, ódio e indiferença pareciam ser, entre outros, grandes males a serem curados.

É neste contexto que no dia 15 de março de 1824 nasce o pequeno João Júlio Chevalier. Júlio, como veio a ser conhecido, cresce e torna-se um jovem sonhador: queria ser padre! Contudo o sonho parecia estar longe de realizar-se. Sua família era muito pobre e os estudos custavam caro demais. Começa, então, a trabalhar como sapateiro para pagar os estudos em vista da sua formação e empenha-se em estudar... Já no seminário, seu sonho parece tomar outros rumos. Diante da realidade da França, e ao estudar o mistério de Deus que se encarna e toma uma vida humana em Jesus Cristo, Júlio tem uma ideia! Por que não formar um grupo de homens e mulheres, que estivessem dispostos a ir a toda parte, curando os sofrimentos do mundo com o amor desse Deus que ama com um coração humano? Ele tinha clareza que só o amor era capaz de curar tanto ódio, tanta indiferença, tanto amargor...

Assim nasce a ideia da fundação de uma Congregação missionária, focada no anúncio de que Deus só pode amar e quer dar vida e felicidade a todo ser humano. O sonho de estudante torna-se realidade, em meio a muitos desafios. No ano de 1854, na pequena cidade de Issoudun, diocese de Bourges, na França, nasce a Congregação, fundada pelo jovem sacerdote de 30 anos, Padre Júlio Chevalier.

Dificuldades não faltaram, mas Deus nunca abandona uma obra começada. Além do mais, Júlio Chevalier, contou com especial proteção de Nossa Senhora, a quem havia se consagrado desde a infância. O título dado a Maria, Nossa Senhora do Sagrado Coração é hoje conhecido no mundo inteiro e, por onde vão, os MSC a invocam como sua padroeira.

 

Quem são os MSC?

Os Missionários do Sagrado Coração são religiosos alicerçados na espiritualidade do Coração, como o próprio nome indica. Isto significa que o espírito de nossa Congregação é um espírito de amor, de gentileza, de humildade e de simplicidade; mas acima de tudo, é um espírito de amor pela justiça e pelo bem-estar de todos, especialmente os mais necessitados. Ser MSC é, basicamente, reconhecer-se como alguém amado por Deus e chamado a amar a todos sempre e em todo lugar.

 

A experiência feita pelo Pe. Chevalier aponta para o testemunho das seguintes realidades, que caracterizam o que chamamos Espiritualidade do Coração:

Deus é amor. No amor não há temor. Não se pode cultivar a imagem de um Deus carrasco, que se preocupa apenas em enumerar nossos erros, um a um, para depois punir-nos. Experimentar a Deus é experimentar a plenitude do amor, não do temor.

Este Deus-Amor não é alheio à humanidade: ele se fez homem, assumindo nossa realidade plenamente. Deus trabalhou com mãos humanas, pensou com cabeça humana, amou com um coração humano. Conhece nossas dificuldades e contradições, porque participa da nossa vida como um de nós, sempre entre nós.

Uma vez que nos damos conta de sermos amados, somos chamados a transbordar esse amor: onde quer que estejamos, em toda parte, podemos e devemos testemunhar que Deus só pode nos dar seu amor, que nosso Deus é ternura e compaixão.

 

 

E como isso é colocado na prática?

Muitas Congregações tem uma missão bastante específica à qual se dedicam. Pode-se lembrar, por exemplo, dos Salesianos, que priorizam o trabalho entre os jovens; dos Camilianos trabalhando entre os enfermos, ou mesmo dos Monges, cuja vida volta-se para a oração e para os trabalhos manuais. Mas e os MSC? Em que e onde servem o povo de Deus?

Esta espiritualidade do Coração, da qual bebemos, nos leva a servir a comunidade global, procurando levar as pessoas a experimentar o amor compassivo de Deus que cura e liberta. Diferentemente das Congregações a quem o Espírito indicou um campo mais específico de trabalho, os MSC são chamados a testemunhar esse amor em toda parte. Alguns de nossos membros trabalham o aprofundamento da experiência de Deus servindo o povo em paróquias, hospitais e penitenciárias. Outros conduzem programas de retiros que ajudam as pessoas a encontrar o amor e a alegria, pela cura de dores do passado, perdas e desapontamentos para aceitarem mais completamente o amor de Deus. Há ainda outros que proclamam a vida e a compaixão do Coração de Deus partindo em missão para outros países.

Os MSC hoje estão presentes em 54 países, sendo a maioria países em vias de desenvolvimento ou pobres. Na Província de São Paulo, especificamente, exercemos a missão nas seguintes áreas:

Em Paróquias, pregando o Evangelho em regiões diversas: SP, MG, MA, CE, AM e uma pequena comunidade missionária no Equador e outra em Moçambique.

Em escolas, procurando levar a marca da Espiritualidade do Coração às salas de aula para formar corações novos para um mundo novo.

Nos meios de comunicação e na formação de novos MSC.

Em obras sociais

 

Tudo isso para que a experiência libertadora do Amor de Deus possa chegar a todos, em todos os lugares e épocas. Assim fazemos a prática do que o nosso lema expressa: amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!