29/01/2019 15:16

Catequese sobre a “Santa Fátima” (Nossa Senhora de Fátima)

Recentemente e mesmo fora de época realizamos em nossa Área Pastoral de missão a festa de Nossa Senhora de Fátima. Foi uma festa linda e com uma dimensão profunda de oração e participação, deste povo sedento de Deus. Logo que chegamos à missão percebemos que nas cadeiras da igreja constava o seguinte escrito: “Comunidade Santa Fátima”, nós os missionários, nos questionávamos porque “santa” e não “Nossa Senhora”? O que há de diferente? Por respeito não questionamos a comunidade. Depois percebemos que em tudo havia escrito ou se falava em “Santa Fátima”.

Resolvemos então primeiro perguntar ao Bispo o porquê disso, pois pensávamos que fosse até uma norma da diocese, mas seria uma coisa quase impossível, pois santa é a designação de uma mulher que viveu sua fé santamente e foi comprovada pela igreja, como nos casos, por exemplo, de Santa Catarina, Santa Terezinha e outras. A expressão do bispo foi a de uma alegre surpresa quando escutou o nosso questionamento: “Santa Fátima?” Perguntou-nos o bispo e continuou: “Senhores padres, eles não sabem distinguir entre Santos e Nossa Senhora, que tem diversos títulos, é preciso que os senhores façam uma catequese sobre os títulos de Nossa Senhora.”  Rimos muito, pois ali estava diante de nós uma necessidade de catequese tão simples e urgente e nós não fomos capazes de entender isso tão prontamente. O meu coração ficou pequeno em saber que conhecemos muito e trazíamos muitas teorias para missão, conceitos e preceitos de evangelização e o que mais precisavam era de algo bem simples, do básico.

A missão nos faz descer ao nível mais básico e agora creio que esse seja o mais elevado. A missão se torna exigente como num caso desse, visto que, o mais difícil em nós (missionários) é nos despojarmos de tanta coisa e ir ao simples. Recordo-me da carta aos Hebreus onde se afirma que Jesus de condição divina humilhou-se, assumindo a nossa condição humana. Mas foi aqui que ele entendeu a nossa humanidade e pode nos ajudar no processo de salvação. Outra passagem dessa mesma carta nos afirma a necessidade de esvaziamento, a missão se faz pelo esvaziar-se para encher-se de novo. Assim voltamos à comunidade e aos poucos fomos ensinando e catequizando sobre os santos e santas e os vários títulos de Nossa Senhora. Aprendi muito e pude ter uma primeira oportunidade de conversão na missão. Que Nossa Senhora do Sagrado Coração nos ajude sempre apontando o caminho para o Sagrado Coração de seu filho Jesus.

Pe. José Eduardo Paixão, MSC é missionário na Diocese de Pemba, Moçambique.