08/01/2019 15:02

Conhecer para amar: Um relato sobre o Beato Antônio Arribas e seus companheiros mártires (parte I)

A Arquiconfraria faz parte da grande família dos Missionários do Sagrado Coração (MSC). Nesta matéria conheceremos um pouco mais a respeito dos Mártires espanhóis MSC recentemente beatificados pelo papa Francisco. Acompanhe a história.

Para se compreender melhor a história destes que são os primeiros beatos de nossa Congregação, convém compreender bem em que contexto seu martírio aconteceu. A Espanha atravessa um momento terrivelmente turbulento de Guerra Civil. E a esse respeito que falaremos de início, para uma melhor compreensão do tema.

O que foi a terrível Guerra Civil Espanhola?

Foi algo semelhante ao que aconteceu no México, na mesma época. Uma horrível perseguição comunista sem precedentes contra a Igreja e os católicos. Esta terrível guerra na Espanha aconteceu como um reflexo da Revolução comunista na Rússia, em 1917, que se desenrolava com Lênin, Stalin etc. Em 1931, houve eleições na Espanha e os republicanos, de linha comunista (marxistas, ateus), além dos anarquistas revolucionários, obtiveram a maioria nos conselhos das grandes cidades, embora tivessem perdido em todo o país, e o rei Afonso XIII havia renunciado ao trono. Os republicanos odiavam Deus e a Igreja, nos moldes comunistas. Foi então proclamada a República e extinta a monarquia. Logo começou a perseguição contra a Igreja e os católicos.

Em 1931, a Espanha tinha cerca de 30.000 sacerdotes diocesanos, 40.000 religiosos (6.000 sacerdotes entre eles) e cerca de 40.000 religiosas e monjas. No mesmo ano, por incitação do governo comunista, dezenas de igrejas e conventos foram saqueados e incendiados.

A perseguição religiosa continuou nos quatro meses que precederam a guerra civil; houve 160 igrejas incendiadas. Entre os milhares de civis mortos pelos comunistas, anarquistas e socialistas, estão pelo menos 6 mil padres, freiras e monges, além de 12 bispos; muitos foram queimados ainda com vida e outros foram enterrados vivos. O ministro da guerra, Manuel Azaña, em um de seus muitos discursos, disse que “preferia ver todas as igrejas da Espanha incendiadas a ver uma só cabeça republicana ferida”.

Fundação MSC em Canet de Mar, Catalunha.

Em 1880, a Congregação dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus chegava a Barcelona, e, dois anos depois, adquiriam em Canet de mar, pequena vila agrícola a 40km de Barcelona, uma ampla residência na parte alta do povoado, junto ao parque que rodeia o santuário de sua padroeira: Nossa Senhora da Misericórdia.

Ali começaram a Pequena Obra, que em 1915 se converteu em Escola Apostólica e Seminário Menor da Congregação na Espanha.

A partir das eleições de fevereiro de 1936 se acentuou em toda Espanha a perseguição religiosa, aproximando-se o início de sua fase mais sangrenta. Integravam a comunidade MSC de Canet de Mar 8 padres e 4 irmãos coadjutores. Além estes, nela se formavam 6 noviços e 10 postulantes que acabavam de ingressar e estudavam 65 crianças, em sua maioria, procedentes de lugares muito distantes.

Dirigiam a formação de futuros MSC na Pequena Obra o padre José Fernández, superior e mestre de noviços, o diretor, Padre Salvador Guasch, e o administrador Padre Antonio Arribas. Completavam a comunidade os professores padres Vicente Casas, José Oriol Isern, Abundio Martín, José M. Ordóñez y José Vergara, com a ajuda dos irmãos coadjutores José del Amo, Román Heras, Gumersindo Gómez e Jesús Moreno. O Padre Superior, consciente da gravidade do momento, comprou roupas comuns para os religiosos e tinha projetos de transladar toda a comunidade para uma casa da Congregação em Marselha (sul da França).