06/11/2019 09:38

Especial 80 anos: conheça um pouco mais da história do nosso santuário

Santuário das Almas: 80 anos levando Deus ao coração da cidade e levando a cidade ao Coração de Deus!

"São Sebastião da Ponte Pequena"

Em 8 de Dezembro de 1939, no bairro então conhecido como Ponte Pequena, num terreno situado às margens do Rio Tietê, na cidade de São Paulo, foi erigida a Paróquia de São Sebastião, para atender religiosamente os fiéis que, naquele tempo, começavam a se estabelecer por ali. Essa porção do povo de Deus foi confiada aos Missionários do Sagrado Coração, que até hoje seguem com seu ministério nesta parte da cidade. A matriz, inaugurada em 10 de novembro de 1940, era considerada provisória, porque tinha pouco espaço. A primeira igrejinha situava-se quase no mesmo lugar da atual.

Já em novembro de 1943, o Pe. Jerônimo Vermin MSC, o primeiro pároco, deixa anotado no "Livro Tombo" que existia na paróquia grande devoção às Almas do Purgatório. Mesmo num primeiro momento a paróquia sendo dedicada a São Sebastião, já existia o costume de se fazer listas especiais de orações pelas almas. Isso surgiu não por iniciativa dos padres, mas devido à grande procura da parte dos fiéis que queriam rezar pelos seus falecidos. A Ponte Pequena era (e continua sendo) um bairro de imigrantes e migrantes. Muitos haviam deixado seu país ou estado natal, e lá tinham deixado os túmulos de seus familiares e amigos. A saudade dos que já tinham partido apertava, e apertava também a saudade da terra onde tinham sido sepultados. Desse modo, era natural que viessem buscar o auxílio de Deus, que não conhece distâncias e em quem nossos falecidos repousam. Esse parece ter sido um dos motivos pelos quais se popularizaram as listas de intenções pelos falecidos.

No início do ano de 1944, começou um movimento para a construção de uma nova e ampla Matriz, que pudesse acolher todos os que procuravam um lugar que pudessem se encontrar com Deus e nele achar repouso e força para seguir com sua luta diária.

Assim, em 30 de novembro de 1946, com a chegada do primeiro caminhão de tijolos, foi iniciada a construção do templo atual, sob a liderança do pároco Pe. Everardo van Oostrom, MSC

 

"Santuário das Almas"

Passado o tempo e sendo pároco o Pe. Cornélio Van de Made, MSC para se levar avante a obra, conforme o Espírito e o Carisma dos Missionários do Sagrado Coração, fundou-se aqui a “Arquiconfraria do Sagrado Coração de Jesus em Sufrágio das Almas”, canonicamente ereta no dia 28 de fevereiro de 1951. No dia 02 de julho do mesmo ano, numa carta autógrafa, o cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, então Arcebispo de São Paulo, aprova e recomenda essa Arquiconfraria, expressando, ao mesmo tempo, o desejo de que a Igreja Matriz da Ponte Pequena viesse a se tornar um verdadeiro Santuário das Almas.

Nesse tempo começaram a ser celebradas missas em sufrágio das almas às 9 horas, no dia 2 de cada mês, e, à noite, iniciava-se a novena “De Profundis”, concluída sempre no dia 10, às 16 horas. Faziam-se preces públicas pelas Almas, todas as noites, e às segundas feiras, meditava-se a Via-Sacra.

Como a devoção às almas só fizesse aumentar, em 25 de junho de 1954, atendendo ao pedido do Cardeal Motta, a Sagrada Congregação dos Ritos de Roma despachou o documento mudando Padroeiro da Igreja da Ponte Pequena: Era “São Sebastião”, passou a ser “Sagrado Coração de Jesus em Sufrágio das Almas”. "Sagrado Coração de Jesus", porque este é o lugar em que se pode encontrar abrigo para todas nossas tristezas e cansaços e se pode sair revigorado pelo abraço carinhoso do Cristo e "em Sufrágio das Almas" porque confiamos a este mesmo Coração amoroso de Jesus todos aqueles que partiram para a eternidade.

Em 1º de novembro de 1955, mesmo ainda não estando completamente pronta a nova igreja, o bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, Dom Vicente Zioni, veio dar a bênção ao novo Templo, que assim foi inaugurado já com o nome de “Santuário do Sagrado Coração de Jesus em Sufrágio das Almas”. Foi uma grande celebração, à noite. Destacaram-se os belos quadros da Via-Sacra que até hoje permanecem no novo templo, pintados pela madre Meinrad, OSB, e a presença do coral dos seminaristas MSC do seminário Maior de Vila Formosa, abrilhantando os atos litúrgicos. Era pároco, desde 1952, o Pe. Cornélio Van Gils, MSC. Umas mil e quinhentas pessoas estiveram presentes à solenidade.

De 09 a 12 de junho de 1956, realizando uma visita Pastoral, o bispo auxiliar e vigário geral, Dom Antônio Macedo, deixa registrado no Livro Tombo da paróquia, um louvor ao trabalho dos Missionários do Sagrado Coração, “os quais trabalham incansavelmente na construção da Igreja paroquial, que é, ao mesmo tempo, Santuário das Almas” (escrito de próprio punho).

 

Os nomes escritos nas paredes

Sendo pároco o Pe. Adão Bombach, MSC, que esteve à frente da paróquia entre os anos de 1962 e 1968, havia muita dificuldade financeira para concluir o acabamento do Santuário. Considerando a piedade do povo, que procurava mais e mais esta igreja para rezar pelos falecidos e recordando o costume de alguns lugares na Europa (Pe. Adão era holandês), de se fixar nas paredes dos santuários placas de agradecimento por graças alcançadas, teve-se a ideia de se oferecer aos fiéis, mediante uma colaboração em dinheiro para o acabamento das obras da igreja, a possibilidade de deixar no templo registrado o nome do falecido por quem se desejava rezar. Da parte da igreja, ficava o compromisso de que todas as missas rezadas no Santuário seriam nas intenções dos falecidos cujos nomes estavam escritos nas paredes. Foi um sucesso instantâneo! Assim se honravam os falecidos e se lhes prestava a caridade de rezar pelo seu descanso eterno e também se puderam concluir as obras do acabamento da igreja.

O costume ainda perdura e ainda é possível colocar os nomes dos falecidos nas paredes do Santuário, entretanto, não mais dentro da igreja, dado que foi prometido aos familiares daquelas pessoas que os nomes que ali foram colocados permaneceriam para sempre lá. Os novos nomes agora são colocados na capela das velas por um período de dez anos, e também por esses nomes são oferecidas todas as missas que são rezadas no Santuário das Almas.

Até hoje pode-se ver, não raras vezes, pessoas de já bastante idade que vêm ao Santuário e rezam diante da plaquinha com o nome daquele falecido que ficou enterrado lá longe, em outro país, como se naquele gesto a pessoa pudesse revisitar aqueles lugares onde cresceu e viveu com sua família. O Santuário das Almas, assim, cumpre seu papel de ser o Coração de Jesus para essas pessoas, que mesmo chegando aqui cansadas e entristecidas, acham repouso seguro no Coração de Deus.