13/12/2018 14:57

Missionários do Sagrado Coração

 

A Arquiconfraria, como você sabe, está ligada a Congregação dos Missionários do Sagrado Coração. Você sabe quem são esses religiosos? Que tal conhecer um pouco mais da sua história?

 

A Congregação dos Missionários do Sagrado Coração de Jesus (MSC) foi fundada pelo padre francês Júlio Chevalier (1824-1907). De origem pobre, Chevalier sente cedo o chamado para estar mais perto do Cristo. Sua família não tinha, entretanto, condições financeiras de arcar com as despesas de seus estudos. Chevalier, diante disso, adia seu sonho e passa a trabalhar como sapateiro, até ter condições de ingressar no seminário. Entra já um pouco tarde, mas dedica-se com muito afinco nos estudos, mesmo sendo mais velho que a maioria de seus colegas. Durante os estudos de Teologia, Chevalier, até então muito rigorista e possuidor de uma imagem demasiado severa de Deus, se impressiona ao estudar o mistério de como Deus se fez ser humano em Jesus Cristo. Aceitar que Deus ama a humanidade a ponto de fazer-se um de nós, capaz de rir, se alegrar, tocar as pessoas e, sobretudo, compadecer-se delas com um coração igual o nosso mudou profundamente o jovem Chevalier. Naquele período ele entendeu que Deus era completamente diferente do que ele vinha imaginando, e percebeu que essa nova visão seria revolucionária, capaz de curar os "males do tempo" em que vivia: o indiferentismo religioso, já que muita gente se afastava da Igreja por ter medo de Deus, e o egoísmo, pois o Coração de Jesus aberto a todos, é modelo de solidariedade e misericórdia.

Foi nesse contexto que começou a surgir a ideia da criação de uma nova Congregação. Ordenado padre, Júlio Chevalier, é nomeado vigário da paróquia de Saint Cyr em Issoudun, juntamente com um ex-colega de seminário o Pe. Emile Maugenest. Sente, então, reacender o desejo de fundar um grupo de religiosos que dedicassem suas vidas a divulgar a anunciar que Deus tem Coração. A partir de suas conversas, lembranças e planos, decidem fazer uma novena à Nossa Senhora, com a intenção de que ela mostrasse se era ou não da vontade de Deus que suas ideias de fundação de uma nova Congregação tivessem bom termo. Se fossem atendidos, além da Fundação, dariam a Maria um novo título, honrando-a de maneira particular na Congregação.

A novena encerrou-se precisamente em 08 de dezembro de 1854, coincidindo com a Proclamação do Dogma da Imaculada Conceição, por Pio IX. Nesta ocasião, após as orações do último dia da novena, o Pe. Chevalier recebeu uma doação anônima de 20.000 francos que deveria destinar-se à criação de uma obra missionária. O fundador interpretou isto como um sinal de Deus, considerando aquela data como sendo o início da Sociedade dos Missionários do Sagrado Coração. Cumprindo sua promessa de dar um novo título a Maria, Pe. Chevalier passa a invoca-la, com a devida licença de Roma, como Nossa Senhora do Sagrado Coração, exprimindo a relação íntima entre o Coração do Filho e a intercessão de Maria em favor da humanidade.

A princípio, os Missionários do Sagrado Coração exerciam seu ministério auxiliando às paróquias, ajudando em sua missão, ensinando o catecismo, pregando retiros e missões paroquiais. A 25 de março de 1881, o Papa Leão XIII confia a Chevalier e a seus sacerdotes a evangelização do vicariato apostólico da Micronésia e Melanésia, dando os Missionários do Sagrado Coração a oportunidade de abrir-se às missões estrangeiras. Os Missionários do Sagrado Coração são religiosos alicerçados na espiritualidade do Coração, como o próprio nome indica. Isto significa que o espírito de nossa Congregação é um espírito de amor, de gentileza, de humildade e de simplicidade; mas acima de tudo, é um espírito de amor pela justiça e pelo bem-estar de todos, especialmente os mais necessitados. Ser MSC é, basicamente, reconhecer-se como alguém amado por Deus e chamado a amar a todos sempre e em todo lugar.

Muitas Congregações tem uma missão bastante específica à qual se dedicam. Pode-se lembrar, por exemplo, dos Salesianos, que priorizam o trabalho entre os jovens; dos Camilianos trabalhando entre os enfermos, ou mesmo dos Monges, cuja vida volta-se para a oração e para os trabalhos manuais. Mas e os MSC? Em que e onde servem o povo de Deus hoje em dia?

Esta espiritualidade do Coração, da qual bebemos, nos leva a servir a comunidade global, procurando levar as pessoas a experimentar o amor compassivo de Deus que cura e liberta. Diferentemente das Congregações a quem o Espírito Santo indicou um campo mais específico de trabalho, os MSC são chamados a testemunhar esse amor em toda parte. Alguns de nossos membros trabalham o aprofundamento da experiência de Deus servindo o povo em paróquias, hospitais e penitenciárias. Outros conduzem programas de retiros que ajudam as pessoas a encontrar o amor e a alegria, pela cura de dores do passado. Há ainda outros que proclamam a compaixão do Coração de Deus partindo em missão para outros países.

Os MSC hoje estão presentes em 54 países, sendo a maioria países em vias de desenvolvimento ou pobres. Na Província de São Paulo, especificamente, exercemos a missão nas seguintes áreas:

- Em Paróquias, pregando o Evangelho em regiões diversas: SP, MG, MA, CE, AM e uma pequena comunidade missionária no Equador e outra em Moçambique.

- Em escolas, procurando levar a marca da Espiritualidade do Coração às salas de aula para formar corações novos para um mundo novo.

- Nos meios de comunicação e na formação de novos MSC.

- Em obras sociais.

 Tudo isso para que a experiência libertadora do Amor de Deus possa chegar a todos, em todos os lugares e épocas. Assim fazemos a prática do que o nosso lema expressa: amado seja por toda parte o Sagrado Coração de Jesus!