25/05/2019 13:10

Santa Maria Madalena de Pazzi

A família dos Pazzi, a cujo nome está ligada a célebre conjuração contra o grão-duque de Médici, era uma das mais importantes da Florença renascentista, opulenta e festiva. Catarina de Pazzi (Maria Madalena foi o nome assumido pela santa carmelita na profissão religiosa) nasceu em 1566, num século rico de acontecimentos na história civil e religiosa da Itália e assinalado por grande florescimento de santos. Por sua vez, Maria Madalena de Pazzi também participou da situação histórica e social do seu tempo escrevendo cartas muito corajosas ao papa, aos cardeais, aos bispos e aos príncipes, apontando as causas dos males que afligiam a Igreja na deficiência dos cristãos e de seus pastores.

É este um dos lados extraordinários da santa, associada à paixão de Cristo com os estigmas e outros fenômenos místicos como as visões, os êxtases, os raptos, durante os quais tratava de árduas questões teológicas. Três coirmãs, encarregadas pelo diretor espiritual, transcreviam as revelações da irmã Maria Madalena. O livro, intitulado Contemplações e redigido de modo excepcional, é considerado importante tratado de teologia mística, e ao mesmo tempo nos revela o itinerário espiritual da santa, que entrara aos dezoito anos no mais austero convento florentino, o das carmelitas.

Desde pequenina, Catarina de Pazzi mostrava-se mais inclinada à devoção do que à vida divertida do seu tempo. Teve de fato o privilégio, até então raro, de fazer a primeira comunhão com a idade de dez anos. Dando adeus ao mundo e trocando o nome, a irmã Maria Madalena foi instrumento dócil da graça divina, atravessando todos os estados da vida mística, dos arrocebos da contemplação à tormentosa prova da morte dos sentidos, na escuridão abissal da aridez espiritual, com duração de cinco anos, durante os quais foi provada na fé, na esperança e na caridade. E, finalmente, no dia de Pentecostes de 1590, seu espírito foi novamente submerso pela esplendorosa luz do êxtase, reforçando-se para a prova sucessiva, a da dor física.

Martirizada no corpo por úlceras dolorosíssimas, quando a dor se tornava insuportável, a irmã Maria Madalena, escolhida pela sua Ordem para mestra das noviças, encontrava a força de repetir aquelas palavras que se tornaram norma da sua vida: Padecer, e não morrer. Morreu a 25 de maio de 1607, no convento de santa Maria dos Anjos, em Florença. Foi canonizada em 1669.

Extraído do livro:
Um santo para cada dia, de Mario Sgarbossa e Luigi Giovannini.