05/03/2019 08:18

Um relato sobre o Beato Antônio Arribas e seus companheiros mártires (Final)

O martírio dos sete missionários

Às quatro da tarde, receberam a ordem de deixar o Comitê de Sant Joan Les Fonts. E assim foram, amarrados em pares nos cotovelos e o último com as mãos atrás das costas. Foram colocados dentro de um ônibus e partiram. Cerca de um quilômetro e meio da aldeia de Serinyà, antes de passar a ponte sobre o rio Sor, o ônibus pára em uma casa em ruínas, e o esquadrão de milicianos desce e se coloca na beira do rio.

Um membro do Comitê de Guerra de Sant Joan descreve os detalhes do crime, do qual ele foi um dos perpetradores: “Primeiro fizemos descer quatro deles e lhes ordenamos que ficassem de costas para nós. Um deles, no entanto, diante da ordem nos enfrentou dizendo que isso de morrer de costas era coisa de covardes e criminosos e que aquele não era o caso. Para eles, morrer por serem religiosos seria uma glória. Nisso, um outro levanta a mão para nos dar uma bênção ou absolvição. Não conseguiu fazê-lo. Foram fuzilados imediatamente e caíram mortos. Enquanto abatíamos os primeiros quatro, fizemos descer do ônibus os outros três, e sem lhes deixar falar mais, os liquidamos junto com os outros.”

O assassino esqueceu, entretanto, de dizer quem era o jovem que os enfrentou tão valentemente: era o padre Antônio Arribas. Segundo o relato de outra testemunha ocular, teria sido o mesmo padre a dar o grito de “Viva Cristo Rei!”, dado na hora em que foi ordenado ofuzilamento.

Era o dia 29 de setembro de 1936. Festa de São Miguel Arcanjo. 

Morreram simplesmente pelo fato de serem religiosos. Morreram in odium fidei.

Não eram agitadores. Simplesmente viviam sua vida de religiosos vivendo numa comunidade formativa. Viviam o carisma de ser amor em toda parte num povoado rural.

Não eram intelectuais. Não tinham livre acesso à palácios. Não morreram em praças públicas entre “infiéis” nas missões estrangeiras. Morreram como viveram: no escondimento de uma Nazaré e morreram fora da cidade, como Aquele a quem seguiram.

Na simplicidade, buscaram viver o seguimento de Jesus conforme indicou Paulo Apóstolo e também Júlio Chevalier: reproduzir em si os sentimentos do Coração de Jesus. Buscar ter um coração igual ao d’Ele.

Assim viveram.

Assim morreram.

Viveram pouco, mas viveram de fato, porque encontraram o cerne do Evangelho, que é vida e salvação. Oxalá nos seja dado um pouco desse mesmo espírito, para que o Evangelho brote em nós como uma fonte...